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Archive for 20 de Março, 2010

As nossas “Declarações de Amor” no âmbito da disciplina de Português (trabalhos expostos na Semana na Maior)

 

Sozinha, na escuridão da madrugada iluminada apenas pela luz bruxuleante da lua, respiro lentamente quase sem perceber. Acabara de ter um sonho com um mundo perfeito, contudo irreal. Nele, tu permanecias eternamente ao meu lado e a minha felicidade era total. No entanto, para a minha tristeza, descubro que todos estes momentos não passaram de meras ilusões. Não consigo explicar o que senti quando te vi pela primeira vez, quando os nossos olhares se cruzaram e este sentimento nasceu. Tu és a razão da minha vida e eu não a imagino sem ti. Pois, sem a tua existência, esta não faria qualquer sentido. Amo-te por tudo o que és, por tudo o que foste e por tudo o que te tornas a cada dia que passa. Quero gritar bem alto o que sinto por ti mas, no momento decisivo, os meus gritos transformam-se em silêncios que se dissipam rapidamente no ar. Quando olho para o espelho, vejo-te a olhares para mim. Quando te tento alcançar, percebo que não estás lá e um vazio repentino apodera-se de mim. Aí, compreendo como é duro amar e só sonhar, querer e não poder e ser somente eu a amar-te. Com o passar do tempo, o meu coração tornou-se servo do teu amor e eu passei a viver do teu sorriso e a alimentar-me do teu olhar…

Ana Rita Passos

 

É amor? É obsessão? É dependência? É desespero? As minhas palavras curvam-se perante este silencio insurdecedor da minha mente, porque não falas! Quero dizer  o quanto me atrais, o quanto me prendes, o quanto me fascinas de dia para dia…quero dizer-te  o quanto te amo, mas falta-me a coragem para to proferir. Não consigo dar o passo decisivo para esta luta constante que é conquistar-te. Mas sinto-te cada vez mais perto, mais presente, mais real, mais sensível à minha presença, mais meu…

Simplesmente porque és pura fantasia! Porque nem o brilho das estrelas conseguem alcançar o brilho dos teus olhos, porque nem a imensidão do universo pode ser equiparada à profundidade do teu coração, porque nem esculpido em diamante serias tão valioso e importante como a tua natureza assim te criou…tão natural,  tão único, tão irreversivel!

Vejo-te e desejo ardentemente sentir o fogo das tuas mãos e a subtileza dos teus lábios. Já sei de cor todos os teus traços, todas as tuas marcas. Já és hábito, já és vicio, já és gravura permanente e inquebrável na minha memória. Quero fazer parte de ti, tal como já fazes parte de mim…e espero, espero pacientemente porque teimo em te possuir.

Hipnotizas-me com esse teu ar de mistério e subtileza meu anjo! Deixa-me  ser as tuas asas para assim podermos voar juntos, deixa-me ser tua serva para te poder servir, deixa-me ser tua, deixa-me amar-te como nunca jamais amei alguém e jamais alguém te amou.

Conto os dias, conto as horas, conto os passos para te voltar a ver, porque a tua simples e inocente  presença me alenta, porque a tua simples e inocente presença me põe a alma e o corpo a ferver de tanta emoção que quase me consegue extasiar. Aquele  teu sorriso espontâneo e inolvidável que me deixa sem reação, sem palavras, sem pensamento constante e real, és inesplicavel por completo.

Drogas-me com essa tua maneira de ser tão pura, digna, magestosa. És o dono da minha realidade, rei dos meus sonhos, és o demasiado desejado mas nunca alcançado. E eu perante ti o que sou? Apenas uma grão de areia  diante do mar, apenas uma pedra perante uma montanha, apenas mais uma estrela de um céu infinito…És o fruto proibido, o  inalcansável, a perfeição, o feitiço, o poder, o desejo…

Temo que este sentimento seja em demasia, temo perder-te, e por isso te peço, não me fujas mais meu amor. Porque desfaleço com o simples pensamento de te perder, de nunca mais te voltar a ver.

Os meus pensamentos para contigo são intocáveis…. mas contigo sou a completa expressão do amor e é meu desejo derramar o meu amor sobre ti.

Quero apenas te dizer que, se amar fosse pecado eu não seria inocente, pois eu te amo e te amarei eternamente!!!….

Susana Pereira

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Trovas que Garcia de Resende fez à morte de D. Inês de Castro, que el-rei D. Afonso, o Quarto, de Portugal, matou em Coimbra por o príncipe D. Pedro, seu filho, a ter como mulher, e, polo bem que lhe queria, nam queria casar. Enderençadas às damas.

(…)

Fala D.Inês:

(…)

-“Senhor, vossa piadade
é dina de reprender,
pois que, sem necessidade,
mudaram vossa vontade
lágrimas dúa molher.
E quereis qu’abarregado,
com filhos, como casado,
estê, senhor, vosso filho?
de vós mais me maravilho
que dele, qu’é namorado.

“Se a logo nam matais,
nam sereis nunca temido
nem farám o que mandais,
pois tam cedo vos mudais,
do conselho qu’era havido.
Olhai quam justa querela
tendes, pois, por amor dela,
vosso filho quer estar
sem casar e nos quer dar
muita guerra com Castela.

“Com sua morte escusareis
muitas mortes, muitos danos;
vós, senhor, descansareis,
e a vós e a nós dareis
paz para duzentos anos.
O príncepe casará,
filhos de bençam terá,
será fora de pecado;
qu’agora seja anojado,
amenhã lh’esquecerá.”

E ouvindo seu dizer,
el-rei ficou mui torvado
por se em tais estremos ver,
e que havia de fazer
ou um ou outro, forçado.
Desejava dar-me vida,
por lhe nam ter merecida
a morte nem nenhum mal;
sentia pena mortal
por ter feito tal partida.

E vendo que se lhe dava
a ele tod’esta culpa,
e que tanto o apertava,
disse àquele que bradava:
-“Minha tençam me desculpa.
Se o vós quereis fazer,
fazei-o sem mo dizer,
qu’eu nisso nam mando nada,
nem vejo essa coitada
por que deva de morrer.”

Fim

Dous cavaleiros irosos,
que tais palavras lh’ouviram,
mui crus e nam piadosos,
perversos, desamorosos,
contra mim rijo se viram;
com as espadas na mam
m’atravessam o coraçam,
a confissam me tolheram:
este é o galardam
que meus amores me deram.

Garcia de Resende, Cancioneiro Geral, V, 357-364



ACTO IV

INÊS E O REI

CASTRO:
Meu Senhor,
Esta he a mãy de teus netos. Estes são
Filhos daquelle filho, que tanto amas.
Esta he aquella coitada molher fraca,
Contra quem vens armado de crueza.
Aqui me tens. Bastava teu mandado
Pera eu segura, e livre t’esperar,
Em ti, e em minh’innocencia confiada.
Escusarás, Senhor, todo este estrondo
D’armas, e Cavaleiros; que não foge.
Nem se teme a innocencia, da justiça.
E quando meus peccados me accusaram.
A ti fora buscar: a ti tomara
Por vida em minha morte: agora vejo
Que tu me vens buscar. Beijo estas mãos
Reaes tam piedosas: pois quiseste
Por ti vir-te informar de minhas culpas.
Conhece-mas, Senhor, como bom Rey,
(…)

REY:
Eu não mando, nem vedo. Deos o julgue.
Vós outros o fazei, se vos parece
Justiça, assi matar quem não tem culpa.

COELHO:
Essa licenca basta: a tenção nossa
Nos salvará cos homens, e com Deos.

CHORO:
Em fim venceo a ira, cruel imiga
De todo bom conselho. Ah quanto podem
Palavras, e razões em peito brando!
Eu vejo teu sprito combatido
De mil ondas, ó Rey. Bom he teu zelo:
O conselho leal: cruel a obra.

António Ferreira, Tragédia Castro

Os Lusíadas

Sem introduzir no caso mais inovações que a inovação da lenda toponímia (elemento fundamental na constituição da lenda), Camões retomou as situações das crónicas e das trovas de Resende, e deu-as em forma perfeita, penetrando-as ao mesmo tempo de profunda verdade humana e de poesia lendária; é em Camões que o tema da Castro recebe ao auréola que há-de fazê-lo atravessar o tempo […]

Dicionário da Literatura (itálicos nossos)

118

Passada esta tão próspera vitória,
Tornado Afonso à Lusitana Terra,
A se lograr da paz com tanta glória
Quanta soube ganhar na dura guerra,
O caso triste e dino da memória,
Que do sepulcro os homens desenterra,
Aconteceu da mísera e mesquinha
Que despois de ser morta foi Rainha.

119

Tu, só tu, puro amor, com força crua,
Que os corações humanos tanto obriga,
Deste causa à molesta morte sua,
Como se fora pérfida inimiga.
Se dizem, fero Amor, que a sede tua
Nem com lágrimas tristes se mitiga,
É porque queres, áspero e tirano,
Tuas aras banhar em sangue humano.

(…)

135

As filhas do Mondego a morte escura
Longo tempo chorando memoraram,
E, por memória eterna, em fonte pura
As lágrimas choradas transformaram.
O nome lhe puseram, que inda dura,
Dos amores de Inês, que ali passaram.
Vede que fresca fonte rega as flores,
Que lágrimas são a água e o nome Amores.

Luís Vaz de Camões, Canto III, estrofes 118 à 135

Soneto de Inês

Os cabelos parecem choupais

Inês! Inês! Rainha sem sossego

dum rei que por amor não pode mais.

Amor imenso que também é cego

amor que torna os homens imortais.

Inês! Inês! Distância a que não chego

morta tão cedo por viver demais.

Os teus gestos são verdes os teus braços

são gaivotas poisadas no regaço

dum mar azul turquesa intemporal.

As andorinhas seguem os teus passos

e tu morrendo com os olhos baços

Inês! Inês! Inês de Portugal.

José Carlos Ary dos Santos

Dos olhos corre a água do Mondego

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Filmes:

“Inês de Castro”, Leitão de Barros, 1945

“Inês de Portugal”, José Carlos de Oliveira, 1997

“Inês de Castro”, Grandela, 2002

“A casa de Lava”, Pedro Costa, 1994

“Amor de Perdição”, Manoel de Oliveira, 1978

“O Delfim”, Fernando Lopes, 2000

“Sem Sombra de Pecado”, José Fonseca e Costa, 1982

“Verde Anos”, Paulo Rocha, 1963

Músicas:

Cari Giorni – Ines de Castro (Giuseppe Persiani)

Niccolo Zingarelli – Ines de Castro – Quartetto

Pedro Syrah – “Inês de Castro”

Outras óperas e espectáculos de D. Pedro e D. Inês de Castro

Livros:

Nome da obra: “Os Lusíadas”

Autor: Luís Vaz de Camões

Nome da obra: “Inês de Castro- a Estalagem dos Assombros”

Autor: Seomara da Veiga Ferreira

Editora: Editorial Presença

Nome da obra: “Inês de Portugal”

Autor: Diogo Lucas e Filipe Lopes

 

Nome da obra: “Inês de Portugal”

Autor: João Aguiar

 

Nome da obra: “Inês de Castro”

Autor: Gondin da Fonseca

Editora: Livraria São José

 

Nome da obra: “Inês de Castro”

Autor: Faustino da Fonseca

Nome da obra: “Inês de Castro na vida de D.Pedro”

Autor: Mário Domingues

Nome da obra: ” O julgamento de Inês de Castro”

Autor: Artur Pedro Gil

Editora: Ministério dos Livros

Nome da obra:” Mensagem de Inês de Castro”

Autor: Francisco Cândido Xavier

Nome da obra: ” Souza Girão e Valle na Descendência de D.Pedro e D. Inês de Castro”

Autor: Guilherme Manuel de Souza Girão

Nome da obra: ” Linda Ignês””

Autor: Rocha Martins

Editora: INAPA


 

 

Nome da obra: “Inês de Castro, a época e a memória”

Autor:  Ana Paula Torres Megiani e Jorge Pereira de Sampaio Almeida

 

 

 

Nome da obra: “A Rainha Morta e o Rei Saudade”

Autor: António Cândido Franco

Editora: Ésquilo

Nome da obra: “Uma Aventura na quinta das Lágrimas”

Autor: Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada

Editora: Editorial Caminho

Nome da obra: “Linda Inês”

Autor: Armando Martins Janeira

 

 

 

Nome da obra: “Inês de Castro”

Autor: María Pilar Queralt del Hierro

Editora: Editorial Presença


Nome da obra: “Inês de castro, um tema portugês na Europa”

Autor: Maria Leonor Machado de Sousa

Nome da obra:  “Pedro e Inês, um tema sempre”

Autor: Maria Leonor Machado de Sousa

Nome da obra: “Lenda e História de Inês de Castro”

Autor: António Vasconcelos

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Existe em Portugal um vinho chamado “Pedro e Inês”. José Miguel Júdice, detentor da marca Inês de Castro, revelou estar disponível a cedê-la para produtos de qualidade e que possam potenciar aquela história verídica, pois este considera que existem poucos produtos a utilizar o nome de um acontecimento tão importante. “Não tenho nada contra a utilização da marca Pedro e Inês em produtos nacionais. Até pode ser em atum, mas tem de ser uma conserva muito boa e não um atum ranhoso”, disse o advogado, confrontado com a falta de aproveitamento comercial daquela história.

O registo destas marcas foi a forma de “evitar a degradação” da sua utilização, mas até ao momento somente um vinho do Dão e licores abaciais em Alcobaça estão a utilizar esses nomes comerciais. Noutros países, os amores de Romeu e Julieta ou Tristão e Isolda justificam centenas de produtos, uma situação que não sucede em Portugal, seja por falta de visão dos empresários, seja pela ausência de uma estratégia de promoção da história. Já o ICEP não tem qualquer registo de outros projectos que utilizem esta memória histórica e Portugal parece não querer aproveitar uma história real que tem uma dimensão internacional única para qualificar alguns produtos. “Estamos a viver todos uma época globalizante e é um escândalo que não consigamos investir na memória deste amor”, considera Gonçalves Sapinho, presidente da Câmara de Alcobaça.

Carlos Encarnação, autarca de Coimbra, que se apercebeu das grandes potencialidades desta história quando deu o nome de «Pedro e Inês» a uma ponte pedonal sobre o Mondego. “Tem sido um sucesso extraordinário” porque o “nome é reconhecido no mundo inteiro” a que se soma depois a qualidade arquitectónica da obra, nota o presidente da autarquia. A dama galega dá também o nome a hotéis e restaurantes.

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