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Fundação Inês de Castro

A Fundação Inês de Castro formalmente criada no dia 7 de Janeiro de 2005, dia em que se comemoram 650 anos sobre a sua morte, tem como objecto a investigação e divulgação da história, da cultura e da arte relacionadas com a temática Inesiana, a promoção e apoio a estudos e actividades culturais centradas em Inês de Castro, a sua época ou épocas mais próximas deste mito e proporcionar o aparecimento de novos valores culturais.
   
A Fundação tem a sua Sede em instalações da Quinta das Lágrimas, em Coimbra, um local que a história e as memórias associam a Inês de Castro e ao drama por ela vivido. A Sociedade Quinta das Lágrimas,  detentora dos terrenos e Hotel Quinta das Lágrimas,  doou à Fundação, em regime de Comodato,  os terrenos onde se integram os locais históricos, jardins, encosta e mata, e que constituem parte do seu património. Fazem parte do Conselho Geral da Fundação personagens portuguesas de alto relevo nas áreas da História, Artes Plásticas e Literatura, do Ambiente e da Paisagem, da Política e também Presidentes e membros de Fundações Culturais, para além dos membros da Sociedade e personalidades ligadas à família dos anteriores proprietários.
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Mas afinal quando tudo aconteceu?

1320: Em Coimbra, a 8 de Abril, nasce o príncipe D. Pedro, filho de D. Afonso IV, rei de Portugal.

– 1340: D. Afonso IV participa na batalha do Salado ao lado de Afonso XI de Castela, é a vitória decisiva da cristandade sobre a moirama da Península Ibérica. Inês de Castro, dama galega, vem para Portugal no séquito de D. Constança, noiva castelhana de D. Pedro; paixão adúltera e fulminante de Pedro por Inês.

– 1345: Nasce D. Fernando, filho de D. Constança e de D. Pedro.

– 1349 ?: Morte de D. Constança.

– 1354: Influenciado pelos Castro (irmãos de Inês), D. Pedro mostra-se disposto a intervir nas lutas dinásticas castelhanas.  

– 1355: A 7 de Janeiro, com o consentimento d’el-Rei D. Afonso IV, nos paços de Santa Clara (Coimbra) Diogo Lopes Pacheco, Pedro Coelho e Álvaro Gonçalves degolam Inês de Castro; revolta de D. Pedro contra o pai.  

– 1357: Morte de D. Afonso IV; D. Pedro sobe ao trono e manda executar os assassinos de Inês de Castro.  

– 1361: Do Mosteiro de Santa Clara (Coimbra) para o Mosteiro de Alcobaça, D. Pedro I manda trasladar os restos mortais de Inês de Castro.

– 1367: A 18 de Janeiro morre D. Pedro I, em Estremoz.

 

Poemas sobre D. Inês de Castro

Inês morreu e nem se defendeu

Inês morreu e nem se defendeu
da morte com as asas das andorinha
pois diminuta era a morte que esperava
aquela que de amor morria cada dia
aquela ovelha mansa que até mesmo cansa
olhar vestir de si o dia-a-dia
aquele colo claro sob o qual se erguia
o rosto envolto em loura cabeleira
Pedro distante soube tudo num instante
que tudo terminou e mais do que a Inês
o frio ferro matou a ele.
Nunca havia chorado é a primeira vez que chora
agora quando a terra já encerra
aquele monumento de beleza
que pode Pedro achar em toda a natureza
que pode Pedro esperar senão ouvir chorar
as próprias pedras já que da beleza
se comovam talvez uma vez que os humanos
corações consentiram na morte da inocente Inês
E Pedro pouco diz só diz talvez
Satanás excedeu o seu poder em mim
deixem-me só na morte só na vida
a morte é sem nenhuma dúvida a melhor jogada
que o sangue limpe agora as minhas mãos
cheias de nada
ó vida ó madrugada coisas do princípio vida
começada logo terminada.

Ruy Belo

 

Antes do fim do mundo, despertar

Antes do fim do mundo, despertar,
Sem D. Pedro sentir,
E dizer às donzelas que o luar
E o aceno do amado que há-de vir…

E mostrar-lhes que o amor contrariado
Triunfa até da própria sepultura:
O amante, mais terno e apaixonado,
Ergue a noiva caída à sua altura.

E pedir-lhes, depois fidelidade humana
Ao mito do poeta, à linda Inês…
À eterna Julieta castelhana
Do Romeu português.

Miguel Torga

 

Da triste, bela Inês, inda os clamores

Da triste, bela Inês, inda os clamores
Andas, Eco chorosa, repetindo;
Inda aos piedosos céus andas pedindo
justiça contra os ímpios matadores;

Ouvem-se ainda na fonte dos Amores
De quando em quando as náiades carpindo;
E o Mondego, no caso reflectindo,
Rompe irado a barreira, alaga as flores:

Inda altos hinos o universo entoa
A Pedro, que da morta formosura
Convosco, Amores, ao sepulcro voa:

Milagre da beleza, e da ternura!
Abre, desce, olha, geme, abraça e c’roa
A malfadada Inês na sepultura.
Andas, Eco chorosa, repetindo;
Inda aos piedosos céus andas pedindo
justiça contra os ímpios matadores;

Ouvem-se ainda na fonte dos Amores
De quando em quando as náiades carpindo;
E o Mondego, no caso reflectindo,
Rompe irado a barreira, alaga as flores:

Inda altos hinos o universo entoa
A Pedro, que da morta formosura
Convosco, Amores, ao sepulcro voa:

Milagre da beleza, e da ternura!
Abre, desce, olha, geme, abraça e c’roa
A malfadada Inês na sepultura.

Bocage

 

Memória

Inês, Inês,
O tempo fere mais que o sangue!
Inês em nós,
Amor que as pedras amacia.
Memória, lume vivo,
Eterna melodia.
Águas do Mondego,
Que grito fatal vos rasgou o leito?!
Amor nascido sem medo,
Por isso verdadeiro.
Doces no passar ameno,
Madrigais de silêncio,
Soluços de nunca mais
Despertando ervas frias,
Testemunhas de punhais.

Eduardo Aroso
In «Habitante Sensível»
(Universitária Editora, 1997

Histórias Idênticas

A História e a Literatura relatam-nos ainda outros amores proibidos que também resultaram num final trágico tal como:

Romeu e Julieta

Romeu e Julieta (em inglês Romeo and Juliet) é uma tragédia escrita entre 1591 e 1595, nos primórdios da carreira literária de William Shakespeare, sobre dois adolescentes cuja morte acaba unindo suas famílias, outrora em pé de guerra. A peça ficou entre as mais populares na época de Shakespeare e, ao lado de Hamlet, é uma das suas obras mais levadas aos palcos do mundo inteiro. Hoje, o relacionamento dos dois jovens é considerado como o arquétipo do amor juvenil.

Tristão e Isolda

O rei-poeta português D. Dinis compôs uma cantiga em que compara o seu amor por uma donzela com aquele de Tristão e Isolda:

“…quero-vos eu tal ben

Qual mayor poss’ e o mui namorado

Tristan sey ben que non amou Iseu

quant’ eu vos amo, esto certo sey eu…”

Simão e Teresa

Simão Botelho, de 17 anos, filho do corregedor de Viseu, e Teresa Albuquerque, de 15, filha de Tadeu Albuquerque, inimigo do pai de Simão, são o casal enamorado de “ amor de Perdição”, o romance de Camilo Castelo Branco escrito em apenas 15 dias quando este se encontrava preso, juntamente com Ana Plácido, o grande amor da sua vida, na Cadeia da Relação do Porto. Simão, rapaz corpulento, bonito e rebelde, estudava em Coimbra e, depois de um discurso inflamado numa Praça da Cidade, esteve preso durante seis meses. Regressou a Viseu e, aí, transfigura-se e torna-se num rapaz sossegado. Deixou as más companhias e raramente saía de casa, mas para tal havia uma razão. Simão estava apaixonado.

Simão tinha-se perdido de amores por Teresa, sua vizinha, quando, certo dia, no ano de 1805, pela janela do seu quarto, a vê pela primeira vez. A partir daí, amá-la-ia para sempre.

Abelardo e Heloísa

“Eles viveram no século XII e a história se passa em torno de 1117 quando Abelardo convence o tio de Heloísa a se tornar tutor dela. Abelardo tinha 37 anos e Heloísa 17. Ele já era muito conhecido como filósofo e tinha boa reputação, mas encantou-se com a moça linda e inteligente que conhecera, única à altura dele. Heloísa também apaixonou-se por ele e por algum tempo viveram seu amor às escondidas, até que o tio Fulbert descobrisse e se achasse traído em sua confiança, expulsando Abelardo de sua casa. Os enamorados continuaram a se encontrar até descobrirem que Heloísa estava grávida. Ele a raptou, levando-a para a casa da irmã na Bretanha onde ela deu à luz a um menino, Astrolábio, nome escolhido a partir do jogo de letras do nome do pai.”

Pedro tornou-se no oitavo rei de Portugal em 1357. Em Junho de 1360 fez a declaração de Cantanhede, legitimando os filhos ao afirmar que se tinha casado secretamente com Inês, em 1354, «em dia que não se lembrava». As palavras do rei e do seu capelão foram as únicas provas desse casamento.

De seguida perseguiu os assassinos de Inês, que tinham fugido para o reino de Castela. Pêro Coelho e Álvaro Gonçalves foram apanhados e executados (segundo a lenda, o rei mandou arrancar o coração de um pelo peito e o do outro pelas costas, assistindo à execução enquanto se banqueteava). Diogo Lopes Pacheco conseguiu escapar para a França e posteriormente seria perdoado pelo rei no seu leito de morte.

A tétrica cerimónia da coroação e do beija mão à rainha morta, que D. Pedro teria imposto à sua corte e tornar-se-ia numa das imagens mais vívidas no imaginário popular, terá provavelmente sido inserida nas narrativas do final do século XVI, depois da popularização do episódio d’Os Lusíadas. D. Pedro mandou construir os dois esplêndidos túmulos de D. Pedro I e de Inês de Castro no Mosteiro de Alcobaça, para onde transladou o corpo da sua amada Inês. Juntar-se-ia a ela em 1367 e os restos de ambos jazem juntos até hoje, frente a frente, para que, segundo a lenda «possam olhar-se nos olhos quando despertarem no dia do juízo final».

Eduardo Aroso, músico e poeta de Coimbra, afirma “A história de Pedro e Inês chega a superar Tristão e Isolda e Romeu e Julieta. Há algumas razões, as quais aqui não é possível abordar por falta de espaço. Passo a dizer só esta e muito resumida: intrigas palacianas sempre as houve em todos os tempos, com escaramuças, traições, mortes. Mas por que é que esta nossa singular história portuguesa ficou universal e muitas outras não? É que Inês, depois de morta é rainha. À primeira vista parece trágico tentar coroar um corpo morto. A verdade é que não era o corpo – esse estava morto e já não servia para nada – mas o AMOR é que era COROADO. O AMOR VENCEU. O que aparentemente é trágico é um fruto do amor.”

Amor além fronteiras

Sites estrangeiros sobre Inês de Castro:

 
 Ópera de James McMillan, The World’s Ransoming:http://www.classical.net/music/comp.lst/articles/macmillan/1996-premieres.php

À la quête d’un passé mythique, por Everton V. Machado:http://www.fabula.org/revue/document4942.php

Inês e os filhos

Imagem do suplemento El Mundo:

http://www.elmundo.es/suplementos/magazine/2006/364/1158146273.html

Inês de Castro na narrativa europeia (séculos XVII-XIX):

http://www.escritorasyescrituras.com/revista.php/2/11

Em Tela Encarnada

ARTES PLÁSTICAS: Estátua Jacente – Mosteiro de Alcobaça; Estátua de Inês – Hotel Inês, Coimbra; Estátua por Cutileiro – Quinta das Lágrimas; Busto por Irene Martins – Escola ;Pinturas, por Columbano, Vieira Portuense, Francisco Metrass, Acácio Lino, Mário Silva, Lima de Freitas, etc.

 

http://tv1.rtp.pt/noticias/?headline=20&visual=9&tm=4&t=A-suplica-de-D-Ines-de-Castro-regressa-a-Portugal.rtp&article=205294

Quadro “Súplica de Inês de Castro”

Pintor: Vieira Portuense

Quadro: “A que depois de morta foi Rainha” 

Pintor:  Lima de Freitas

Quadro: “Morte de Inês” ou “Drama de Inês de Castro”

Pintor: Columbano

Quadro: “Súplica de Inês de Castro”

Pintor: Eugénie Servières