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Posts Tagged ‘Pedro’

Conclusão

Este trabalho foi muito enriquecedor, pois adquirimos alargados conhecimentos não só ao nível da temática deste desafio (D. Pedro e D. Inês de Castro), como também nos obrigou a reflectir sobre as dificuldades que o amor enfrenta ao longo dos tempos. O amor é um sentimento intemporal que quando é verdadeiro perdura para toda a eternidade. Exemplo disto é o amor de D. Pedro e D. Inês que continua a ser descrito ao longo dos séculos. Desta forma, o sentimento continua a fluir com a mesma intensidade de dia para dia, de ano para ano, de século para século… Para além das pesquisas feitas, aprendemos a melhor trabalhar em grupo, a respeitar as ideias dos outros e a conciliar diferentes opiniões. Esperamos que mais iniciativas desta natureza surjam, pois é nosso dever conhecer a História de Portugal, já que só conseguimos entender o futuro se primeiro conhecermos o passado.

“O amor é fogo que arde sem se ver”

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A Quinta das Lágrimas é uma quinta situada na margem esquerda do Mondego, na frequesia de Santa Clara, em Coimbra, Portugal. No jardim encontram-se duas fontes históricas, a Fonte dos Amores e a Fonte das Lágrimas. A quinta e as fontes são célebres por terem sido cenário dos amores proibidos do príncipe D. Pedro (futuro Pedro I de Portugal) e da fidalga Inês de Castro, tema de inúmeras obras de arte ao longo dos séculos.

Sabe-se que a área da quinta foi couto de caça da família real portuguesa desde pelo menos o século XIV. A rainha D. Isabel, esposa de D. Dinis, adquiriu os terrenos de duas fontes naturais na área da quinta para levar água ao Mosteiro de Santa Clara, que a rainha havia fundado ali perto. Uma das nascentes d’agua ainda tem um acesso por um arco ogival gótico, datado do século XIV. O nome primitivo da área era Quinta do Pombal, ganhando o atual nome apenas no século XVIII.

A tradição e a literatura associam fortemente a estória de Pedro e Inês à Quinta das Lágrimas. Conta-se que a quinta foi cenário dos amores proibidos do príncipe D. Pedro (futuro Pedro I de Portugal) e Inês de Castro, uma fidalga galega que servia de dama de companhia a sua mulher D. Constança. D. Inês terminou assassinada por fidalgos a quem o rei Afonso IV ordenara a sua morte. As lágrimas então derramadas por Inês e pelo povo em sua memória inspiraram Luís de Camões a criar o nome de Fonte das Lágrimas e muitos outros escritores a consagrar o amor eterno de Pedro e Inês.
“As filhas do Mondego, a morte escura
Longo tempo chorando memoraram
E por memória eterna em fonte pura
As Lágrimas choradas transformaram
O nome lhe puseram que ainda dura
Dos amores de Inês que ali passaram
Vede que fresca fonte rega as flores
Que as Lágrimas são água e o nome amores”
Os Lusíadas, canto III.
Com o correr dos séculos, a quinta passou a ser propriedade da Universidade de Coimbra e de uma ordem religiosa. Em 1730 a quinta foi adquirida pela família Osório Cabral de Castro, que mandou construir um palácio. No ínicio do século XIX, Miguel Osório Cabral e Castro concebeu o frondoso jardim que ainda hoje cerca a quinta, usando para isso espécies vegetais exóticas de vários lugares do mundo. Em 1808, Arthur Wellesley, duque de Wellington, comandante das tropas que atacaram as forças invasoras de Napoleão, foi hóspede na quinta. O proprietário na época, António Maria Osório Cabral de Castro, era ajundante-de-campo do general. O duque de Wellington plantou na ocasião duas sequóias perto da Fonte das Lágrimas, que atualmente tem duzentos anos. Outro hóspede ilustre da quinta foi D. Pedro II,  Imperador do Brasil, em 1872. O palácio original foi destruído por um incêndio em 1879, sendo reconstruído ao estilo dos antigos solares rurais portugueses, com biblioteca e capela. Na área ao redor do palácio ainda podem ser vistos os restos das edificações rurais como o espigueiro, armazém e lagar de azeite.

O jardim foi idealizado no século XIX, seguindo uma tendência da época, a da constituição de uma espécie de Museu Vegetal, onde estariam representadas espécies de todo o mundo. A quinta e o palácio foram recuperados na década de 1980 e 1990. Desde 1996 encontra-se instalado no Palácio da Quinta das Lágrimas um hotel de luxo.

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Na Idade Média, a mulher amante era vista com desagrado pela sociedade da época. O mesmo aconteceu com D. Pedro e D. Inês,  a dama galega  era vista com maus olhos pelo povo português e também pela família real, o que levou à morte desta. Contrariamente aos dias de hoje, que embora ainda seja considerado um acto reprovável, a infidelidade não assume os contornos que outrora adquiria. Em contrapartida, as traições adquirem nos nossos dias um carácter mais vincado no que diz respeito às uniões por interesse material.  Na época de D. Pedro e D. Inês muito se especulou acerca da forte possibilidade de esta união se relacionar com um interesse de Estado. Por esta razão, temia-se que se este relacionamente se mantivesse o Condado Portucalense caíria nas “mãos” dos espanhóis, já que D. Inês era galega. Por esta razão, D. João IV (pai de D. Pedro) manda matar D. Inês. Mais do que uma traição mal vista pela sociedade, esta morte relacionou-se com a necessidade de defesa do Estado. Neste caso, o Amor perdeu a favor do Patriotismo.  Outro caso idêntico a este é o de D. Carlos e da Princesa Diana, que teve também um final trágico ( morte da princesa).

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Na altura, Inês de Castro constituía um obstáculo e um problema para Afonso IV, mais concretamente para os interesses do Estado. Havia o perigo de Inês vir a ser rainha e tal era considerado arriscado porque Inês era filha de galegos e, uma vez rainha, a independência de Portugal poderia estar ameaçada. Havia também receio que os filhos de Inês de Castro e Dom Pedro pudessem vir a lutar contra os filhos de Dona Constança e Dom Pedro pelo trono. Não nos podemos esquecer de que esta história se desenrola em pleno século XIV, uma época de diferenciação cultural e afirmação política das nacionalidades. Muitas batalhas haviam sido travadas para alcançar independência, o medo de perder tudo aquilo pelo qual se tinha lutado (e ainda se estava a lutar) era bem visível. Assim, torna-se claro como o casamento de Inês e de Pedro não era politicamente favorável aos interesses do Estado. Cabia a Dom  Afonso IV agir de acordo com os interesses nacionais, mesmo que isso significasse matar uma inocente e fazer sofrer o seu próprio filho.

Todo o episódio dedicado a Inês de Castro n’ Os Lusíadas foca este dilema. Afonso IV, juntamente com os seus conselheiros, vai ao encontro de Inês para a tirar ao mundo. No entanto, a dada altura Afonso IV fica comovido com os pedidos de clemência de Inês e, se não fosse a pressão do povo, teria voltado atrás na sua decisão. O Príncipe enamorado e a dama de companhia que não se esquiva à investida.

Condena-os a nobreza e condena-os el-Rei D. Afonso IV. Por dois motivos, mas políticos:

1.º – De D. Constança, entretanto falecida, D. Pedro tem um legítimo herdeiro ao trono, D. Fernando. De Inês de Castro, D. Pedro tem três bastardos. El-Rei e a nobreza temem que algum dos bastardos possa, futuramente, querer impugnar a legitimidade de D. Fernando. Portanto, perigo eventual de guerra civil;

2.º – Os Castros, irmãos de Inês, pressionam D. Pedro no sentido de tomar para si também o trono de Castela. Em finais de 1354 D. Pedro acaba por aceitar a ideia. Só por pressão do pai é que, à última hora, suspende a sua intervenção em Castela. A nobreza e el-Rei temem que D. Pedro acabe por arrastar o reino de Portugal para as lutas dinásticas de Castela.

E qual será a mais forte das razões? A do Estado ou a do amor?

Mas não é só a nobreza e el-Rei a condenarem os amantes. Também o povo, por temer guerras com os castelhanos, os condena. No norte de Portugal o cognome que se dá a “putas intriguistas” passa a ser “Inês de Castro”…

Assim podemos concluir que, apesar de terem sido afastados pela sociedade ter pensado que se tratava de um relacionamento por interesse de estado, o amor acabou por vencer e perdurar por toda a eternidade.

Susana Pereira e Ana Rita Passos

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1320: Em Coimbra, a 8 de Abril, nasce o príncipe D. Pedro, filho de D. Afonso IV, rei de Portugal.

– 1340: D. Afonso IV participa na batalha do Salado ao lado de Afonso XI de Castela, é a vitória decisiva da cristandade sobre a moirama da Península Ibérica. Inês de Castro, dama galega, vem para Portugal no séquito de D. Constança, noiva castelhana de D. Pedro; paixão adúltera e fulminante de Pedro por Inês.

– 1345: Nasce D. Fernando, filho de D. Constança e de D. Pedro.

– 1349 ?: Morte de D. Constança.

– 1354: Influenciado pelos Castro (irmãos de Inês), D. Pedro mostra-se disposto a intervir nas lutas dinásticas castelhanas.  

– 1355: A 7 de Janeiro, com o consentimento d’el-Rei D. Afonso IV, nos paços de Santa Clara (Coimbra) Diogo Lopes Pacheco, Pedro Coelho e Álvaro Gonçalves degolam Inês de Castro; revolta de D. Pedro contra o pai.  

– 1357: Morte de D. Afonso IV; D. Pedro sobe ao trono e manda executar os assassinos de Inês de Castro.  

– 1361: Do Mosteiro de Santa Clara (Coimbra) para o Mosteiro de Alcobaça, D. Pedro I manda trasladar os restos mortais de Inês de Castro.

– 1367: A 18 de Janeiro morre D. Pedro I, em Estremoz.

 

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Inês morreu e nem se defendeu

Inês morreu e nem se defendeu
da morte com as asas das andorinha
pois diminuta era a morte que esperava
aquela que de amor morria cada dia
aquela ovelha mansa que até mesmo cansa
olhar vestir de si o dia-a-dia
aquele colo claro sob o qual se erguia
o rosto envolto em loura cabeleira
Pedro distante soube tudo num instante
que tudo terminou e mais do que a Inês
o frio ferro matou a ele.
Nunca havia chorado é a primeira vez que chora
agora quando a terra já encerra
aquele monumento de beleza
que pode Pedro achar em toda a natureza
que pode Pedro esperar senão ouvir chorar
as próprias pedras já que da beleza
se comovam talvez uma vez que os humanos
corações consentiram na morte da inocente Inês
E Pedro pouco diz só diz talvez
Satanás excedeu o seu poder em mim
deixem-me só na morte só na vida
a morte é sem nenhuma dúvida a melhor jogada
que o sangue limpe agora as minhas mãos
cheias de nada
ó vida ó madrugada coisas do princípio vida
começada logo terminada.

Ruy Belo

 

Antes do fim do mundo, despertar

Antes do fim do mundo, despertar,
Sem D. Pedro sentir,
E dizer às donzelas que o luar
E o aceno do amado que há-de vir…

E mostrar-lhes que o amor contrariado
Triunfa até da própria sepultura:
O amante, mais terno e apaixonado,
Ergue a noiva caída à sua altura.

E pedir-lhes, depois fidelidade humana
Ao mito do poeta, à linda Inês…
À eterna Julieta castelhana
Do Romeu português.

Miguel Torga

 

Da triste, bela Inês, inda os clamores

Da triste, bela Inês, inda os clamores
Andas, Eco chorosa, repetindo;
Inda aos piedosos céus andas pedindo
justiça contra os ímpios matadores;

Ouvem-se ainda na fonte dos Amores
De quando em quando as náiades carpindo;
E o Mondego, no caso reflectindo,
Rompe irado a barreira, alaga as flores:

Inda altos hinos o universo entoa
A Pedro, que da morta formosura
Convosco, Amores, ao sepulcro voa:

Milagre da beleza, e da ternura!
Abre, desce, olha, geme, abraça e c’roa
A malfadada Inês na sepultura.
Andas, Eco chorosa, repetindo;
Inda aos piedosos céus andas pedindo
justiça contra os ímpios matadores;

Ouvem-se ainda na fonte dos Amores
De quando em quando as náiades carpindo;
E o Mondego, no caso reflectindo,
Rompe irado a barreira, alaga as flores:

Inda altos hinos o universo entoa
A Pedro, que da morta formosura
Convosco, Amores, ao sepulcro voa:

Milagre da beleza, e da ternura!
Abre, desce, olha, geme, abraça e c’roa
A malfadada Inês na sepultura.

Bocage

 

Memória

Inês, Inês,
O tempo fere mais que o sangue!
Inês em nós,
Amor que as pedras amacia.
Memória, lume vivo,
Eterna melodia.
Águas do Mondego,
Que grito fatal vos rasgou o leito?!
Amor nascido sem medo,
Por isso verdadeiro.
Doces no passar ameno,
Madrigais de silêncio,
Soluços de nunca mais
Despertando ervas frias,
Testemunhas de punhais.

Eduardo Aroso
In «Habitante Sensível»
(Universitária Editora, 1997

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A História e a Literatura relatam-nos ainda outros amores proibidos que também resultaram num final trágico tal como:

Romeu e Julieta

Romeu e Julieta (em inglês Romeo and Juliet) é uma tragédia escrita entre 1591 e 1595, nos primórdios da carreira literária de William Shakespeare, sobre dois adolescentes cuja morte acaba unindo suas famílias, outrora em pé de guerra. A peça ficou entre as mais populares na época de Shakespeare e, ao lado de Hamlet, é uma das suas obras mais levadas aos palcos do mundo inteiro. Hoje, o relacionamento dos dois jovens é considerado como o arquétipo do amor juvenil.

Tristão e Isolda

O rei-poeta português D. Dinis compôs uma cantiga em que compara o seu amor por uma donzela com aquele de Tristão e Isolda:

“…quero-vos eu tal ben

Qual mayor poss’ e o mui namorado

Tristan sey ben que non amou Iseu

quant’ eu vos amo, esto certo sey eu…”

Simão e Teresa

Simão Botelho, de 17 anos, filho do corregedor de Viseu, e Teresa Albuquerque, de 15, filha de Tadeu Albuquerque, inimigo do pai de Simão, são o casal enamorado de “ amor de Perdição”, o romance de Camilo Castelo Branco escrito em apenas 15 dias quando este se encontrava preso, juntamente com Ana Plácido, o grande amor da sua vida, na Cadeia da Relação do Porto. Simão, rapaz corpulento, bonito e rebelde, estudava em Coimbra e, depois de um discurso inflamado numa Praça da Cidade, esteve preso durante seis meses. Regressou a Viseu e, aí, transfigura-se e torna-se num rapaz sossegado. Deixou as más companhias e raramente saía de casa, mas para tal havia uma razão. Simão estava apaixonado.

Simão tinha-se perdido de amores por Teresa, sua vizinha, quando, certo dia, no ano de 1805, pela janela do seu quarto, a vê pela primeira vez. A partir daí, amá-la-ia para sempre.

Abelardo e Heloísa

“Eles viveram no século XII e a história se passa em torno de 1117 quando Abelardo convence o tio de Heloísa a se tornar tutor dela. Abelardo tinha 37 anos e Heloísa 17. Ele já era muito conhecido como filósofo e tinha boa reputação, mas encantou-se com a moça linda e inteligente que conhecera, única à altura dele. Heloísa também apaixonou-se por ele e por algum tempo viveram seu amor às escondidas, até que o tio Fulbert descobrisse e se achasse traído em sua confiança, expulsando Abelardo de sua casa. Os enamorados continuaram a se encontrar até descobrirem que Heloísa estava grávida. Ele a raptou, levando-a para a casa da irmã na Bretanha onde ela deu à luz a um menino, Astrolábio, nome escolhido a partir do jogo de letras do nome do pai.”

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Pedro tornou-se no oitavo rei de Portugal em 1357. Em Junho de 1360 fez a declaração de Cantanhede, legitimando os filhos ao afirmar que se tinha casado secretamente com Inês, em 1354, «em dia que não se lembrava». As palavras do rei e do seu capelão foram as únicas provas desse casamento.

De seguida perseguiu os assassinos de Inês, que tinham fugido para o reino de Castela. Pêro Coelho e Álvaro Gonçalves foram apanhados e executados (segundo a lenda, o rei mandou arrancar o coração de um pelo peito e o do outro pelas costas, assistindo à execução enquanto se banqueteava). Diogo Lopes Pacheco conseguiu escapar para a França e posteriormente seria perdoado pelo rei no seu leito de morte.

A tétrica cerimónia da coroação e do beija mão à rainha morta, que D. Pedro teria imposto à sua corte e tornar-se-ia numa das imagens mais vívidas no imaginário popular, terá provavelmente sido inserida nas narrativas do final do século XVI, depois da popularização do episódio d’Os Lusíadas. D. Pedro mandou construir os dois esplêndidos túmulos de D. Pedro I e de Inês de Castro no Mosteiro de Alcobaça, para onde transladou o corpo da sua amada Inês. Juntar-se-ia a ela em 1367 e os restos de ambos jazem juntos até hoje, frente a frente, para que, segundo a lenda «possam olhar-se nos olhos quando despertarem no dia do juízo final».

Eduardo Aroso, músico e poeta de Coimbra, afirma “A história de Pedro e Inês chega a superar Tristão e Isolda e Romeu e Julieta. Há algumas razões, as quais aqui não é possível abordar por falta de espaço. Passo a dizer só esta e muito resumida: intrigas palacianas sempre as houve em todos os tempos, com escaramuças, traições, mortes. Mas por que é que esta nossa singular história portuguesa ficou universal e muitas outras não? É que Inês, depois de morta é rainha. À primeira vista parece trágico tentar coroar um corpo morto. A verdade é que não era o corpo – esse estava morto e já não servia para nada – mas o AMOR é que era COROADO. O AMOR VENCEU. O que aparentemente é trágico é um fruto do amor.”

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